Os termos feudal e feudalismo são modernos, usados para descrever uma sociedade que estava morrendo ou que já tinha desaparecido. A palavra feudal tem sua raíz no latim feudum: posse, propriedade ou domínio e, ao que parece, foi usada pela primeira vez em 1614. Já a palavra feudalismo só viria a ser usada no século XIX.
Admite-se que a sociedade feudal originou-se na França, entre os séculos IX e X, com o declínio da monarquia Carolíngia. Na Inglaterra, originou-se, em 1066, com a conquista normanda. O feudalismo teria durado até o século XVI.
Gênese
Durante o Império Romano, predominou o modo de produção escravista. A partir do século III, o escravismo entrou em crise. A produção agrícola caiu. O comércio e a produção artesanal urbana retraíram-se.
Instituições romanas
Vilas - durante a crise do Império Romano, os grandes proprietários foram em direção aos seus latifúndios, onde desenvolveram núcleos rurais e uma economia agrária de subsistência.
Colonato - eram grupos de romanos que desenvolviam trabalhos agrícolas em troca de sobrevivência.
Clientela - relação social que caracterizava a dependência entre grupos inferiores frente aos superiores.
Instituições germânicas
Benefício - doação de terras como forma de pagamento. Deste termo surgiu o feudo. Pequena ou grande parcela de terra doada.
Comitatus - grupo formado por guerreiros e seus chefes. Tinham obrigações recíprocas e lealdade.
Economia agropastoril - a base da economia germânica era a agricultura e a criação de animais. Não existia o ideal de comercialização do excedente.
Portanto, a fusão de elementos da sociedade germânica com a romana resultou numa síntese que denominamos de sociedade feudal.
Principais características do feudalismo
Econômicos – Economia essencialmente agrária, natural e auto-suficiente: produzia-se para o consumo imediato. Trabalho regulado pelas obrigações servis, fixadas pela tradição e pelo costume.
Políticas – Poder político descentralizado das mãos do rei. O poder local: cada domínio feudal era independente, ou seja, cada feudo era governado pelo seu senhor. Relação entre a nobreza feudal baseadas nos laços de suserania e vassalagem: tornava-se suserano o nobre que doava um feudo a outro; e vassalo, o nobre que recebia o feudo.
Sociais – Sociedade rural e estamental, dividida em três estamentos ou ordens sociais, cada qual com uma função:
clero – oração
nobreza – defesa
campesinato – (servos e vilões) – trabalho
A sociedade feudal era principalmente rural, ou seja, quase todas as pessoas viviam no campo. O trabalho na agricultura era pesado e cansativo e os camponeses ficavam com poucos frutos, visto que as terras eram dos nobres.
Os nobres eram os donos da terras, também chamados de feudos. Como proprietários, o trabalho deles era pouco, em comparação com os servos.
Servos, não eram escravos porque não pertenciam aos nobres, já que não podiam ser vendidas para outro senhor feudal. Mas também não eram livres para irem para outro lugar ou outro feudo. Estes camponeses servos tinham direito de utilizar um pedaço da terra do feudo para uso próprio. Mas o senhor feudal não fazia investimentos na terra. Os instrumentos de trabalho como foices, machados e outros, pertenciam aos servos.
Veja algumas das obrigações feudais:
Corvéia: era prestação de serviço gratuitos. Isto é, o servo trabalhava uns dias na semana de graça para o senhor feudal, em terras do seu senhor. Além de construir pontes, reparar estradas e outros trabalhos extras.
Talha: era a entrega de produtos gerados diretamente por trabalho servil. Parte da colheita do servo devia ser entregue ao senhor feudal. Isto incluía aves, alimentos e animais.
Banalidades: eram taxas criadas por qualquer motivo. Multas, impostos para compra de equipamentos e vários.
Tais obrigações servis, ou melhor, direitos senhoriais, eram como consagrados pela tradição e variavam de acordo com a região. A relação entre senhor feudal e servo era bem prática: os servos trabalhavam enquanto os senhores feudais lhes garantiam proteção, em caso de guerras, e abrigo, no caso de calamidade. Mesmo assim, com essa suposta proteção, os camponeses não se conformavam tão facilmente com tanto trabalho me tanto tributo. Por isso haviam rebeliões, que infelizmente eram sufocadas de maneira violenta e cruel pelos nobres.
A economia do feudo era de subsistência , pois o feudo não produzia tantos excedentes,mas apenas o básico para sobreviver. por causa disso as cidades e o comércio eram pouco desenvolvidos.
O princípio de estratificação era privilégio de nascimento. Cada indivíduo permanecia preso à sua posição na sociedade, o que caracterizava uma imobilidade social e estabelecia um regime de desigualdade.
Culturais – Cultura teocêntrica, ou seja, todo o poder político girava em torno da autoridade religiosa, da fé. Predomínio da Igreja, que determinava o modo de pensar e de viver da sociedade.Condenação pela Igreja dos juros (usura) e do lucro. Fenômenos naturais explicados pela fé. A sociedade medieval era profundamente religiosa. Era comum a celebração de ritos para fazer as plantas crescerem, para conseguir boa colheita, para pedir a chuva etc.
As Cruzadas
As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter "militar" organizadas pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude de seus adeptos (os chamados soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Era o testemunho visível e público de engajamento individual e particular na empreitada divina.
Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra Santa - a guerra divinamente autorizada para combater os infiéis.
O movimento cruzadista foi motivado pela conjugação de diversos fatores, dentre os quais se destacam os de natureza religiosa, social e econômica. Em primeiro lugar, a ocorrência das Cruzadas expressava a própria cultura e a mentalidade de uma época. Ou seja, o predomínio e a influência da Igreja sobre o comportamento do homem medieval devem ser entendidos como os primeiros fatores explicativos das Cruzadas.
A ocorrência das Cruzadas Medievais deve ser analisada também como uma tentativa de superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média. Por esta razão outros fatores contribuíram para sua realização.
Muitos nobres passam a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de ampliar seus domínios territoriais.
Aliada a esta questão deve-se lembrar ainda de que a sucessão da propriedade feudal estava fundamentada no direito de primogenitura. Esta norma estabelecia que, com a morte do proprietário, a terra deveria ser transmitida, por meio de herança, ao seu filho primogênito. Aos demais filhos só restavam servir ao seu irmão mais velho, formando uma camada de "nobres despossuídos" - a pequena nobreza - interessada em conquistar territórios no Oriente por meio das Cruzadas.
Consequências das Cruzadas
Os efeitos das Cruzadas se deixaram sentir principalmente na Europa, não no Oriente Médio. As Cruzadas foram responsáveis pela reabertura das rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Os cruzados haviam fortalecido o comércio das cidades italianas, haviam gerado um interesse pela exploração do Oriente e haviam estabelecido mercados comerciais de duradoura importância. Os experimentos do Papado e dos monarcas europeus para obter os recursos monetários para financiar as Cruzadas conduziram ao desenvolvimento de sistemas de impostos diretos de modo geral, que tiveram conseqüências a longo prazo para a estrutura fiscal dos estados europeus. Ainda que os estados latinos no Oriente tivessem uma vida curta, a experiência dos cruzados estabeleceu alguns mecanismos que gerações posteriores de europeus usariam e melhorariam, ao colonizar os territórios descobertos pelos exploradores dos séculos XV e XVI.
Texto retirado do blog:
http://ceejohistoria.blogspot.com/2009/03/o-feudalismo.html
clique na imagem abaixo para conhecer como era a vida nos castelos medievais.
Professora Arlete
Parabéns! Excelente trabalho!
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